REPORTAGEM EXCLUSIVA EM MACAÚBAS: ENTREVISTA COM DUAS PESSOAS QUE VENCERAM A COVID-19

Se infectar pela Covid-19 não te deixa menos gente que ninguém

      Falar de Covid-19 já se tornou algo triste, por tudo que essa doença já ocasionou, principalmente pela dificuldade de combatê-la. Mas, quem se infectou pelo novo Coronavírus e se recuperou, o que fez? Quem são essas pessoas? Como fizeram para lutar contra esse mal invisível e impedir a transmissão para outro ser humano? Quais foram as consequências deixadas? E os conselhos para quem não se contaminou ainda?
   Quem consegue responder a essas perguntas, de forma tranquila, é Naysa Gabriela, jovem de 22 anos e moradora de Macaúbas-BA. Ela passou pela situação de se infectar pelo Coronavírus, há mais ou menos nove meses atrás, em Brasília, onde trabalhava.
   O município macaubense conta com 50.161 habitantes, segundo a última estimativa do IBGE.
Naysa, que testou positivo para a doença na Capital Federal, se encontra agora em Macaúbas e conta como foi sua experiência com a Covid-19. Segundo ela, o que mais a atrapalhou foi ter que ficar em isolamento: ‘é doloroso’. Esse impedimento de ficar perto dos familiares, pode ser pior do que os efeitos do vírus.
  Apesar de não ter passado a Covid-19 para alguém da sua família, ela conta que seu irmão também sofreu com a doença e “ficou mais grave” do que ela. A jovem ainda relata que teve sentimento de revolta e tristeza, por ter seguido as recomendações e mesmo assim se contaminar com a doença.
   Já Adeílson, sindicalista, está dentro dos dados divulgados pelo Boletim Coronavírus de Macaúbas, pois se contaminou e reside na mesma cidade. Ao contrário de Naysa, ele diz que sua esposa e seu filho foram contaminados pela enfermidade, logo após o teste positivo dele.
   Ao se falar de contaminação pela Covid-19, vem em mente também a questão da aceitação. Porém, tanto Naysa, como Adeílson relatam que não sofreram nenhum preconceito. O que aconteceu foi o inverso, os seus amigos e familiares lhes trouxeram acolhimento, fato esse que ajudou bastante na luta pela cura.
         Outro caminho inverso, percorrido pelos dois personagens, foi em relação ao momento em que estavam com o vírus ativo. De acordo com Adeílson, ele se isolou em casa, ficou duas semanas e meia sem ir ao trabalho e se curou apenas em quarentena.
   Enquanto Naysa não passou pelo mesmo processo, pois ela precisou se tratar em uma Unidade de Saúde. Lá, a sua preocupação era com a família, devido ao risco de contaminação, por isso ela mesma pedia aos familiares que não a visitasse.
   Após curados, eles também contam diferentes reações que tiveram. A jovem informa que até os dias atuais sente dor de cabeça, bem como alteração no paladar. Já o sindicalista diz que sentiu apenas um cansaço, por algumas semanas, mas logo ‘voltou ao normal’. Para ele, a mudança maior é na vida pessoal: ‘o que muda mais é você valorizar cada dia mais de trabalho, cada momento com a família’.
   E por fim, eles deixaram uns recados para quem ainda não se infectou pela Covid-19:
   – Cuidado, usem máscara, lave bem as mãos, use álcool em gel, por favor, por que não é legal. Tipo assim, você vive num mundo de ilusão, ‘ah eu não vou pegar’, mas pega, na minha cabeça também era assim, ‘não vai dá nada não’ mas acabei pegando, conta Naysa.
   – Muito cuidado, não é hora de baixar a guarda ainda. Evitar aglomeração, evitar ir em bares e futebol. Se precisar sair, use máscara. Porque a coisa é séria e você pode acabar levando para casa, para alguém que você gosta e ama, finalizou Adeílson.
   Relatos como esses são frequentes neste período, mas o que está mais em evidência são os dados. Muitas pessoas na sociedade se preocupam mais em olhar números, para dizer se é bom se cuidar ou não. Mas, em diversos momentos, é necessário dar voz a eles, tirar do anonimato o dado e levar como uma fonte de aprendizado tudo isso. Acima de tudo, se infectar pela Covid-19 não te deixa menos gente que ninguém.
Reportagem: João de Jesus
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