Paramirim: Denúncia de negligência médica em parto no Hospital José Américo repercute na Sessão da Câmara; Unidade de saúde já emitiu uma nota de esclarecimento

O primeiro encontro de 2022, na Câmara de Vereadores do município de Paramirim/BA foi marcado por discussão de diversos assuntos polêmicos. A sessão, que foi realizada na noite de sexta-feira (18), contou com alguns vereadores abordando algumas denúncias envolvendo supostas negligências médicas, no Hospital José Américo Resende. Além disso, os legisladores também falaram da atuação do serviço de Guarda Municipal, que foi orientada recentemente pelo Ministério Público a se abster de operações policiais.

Sobre o tema relacionado a saúde, alguns vereadores usaram os seus direitos de fala, na sessão desta sexta, para discorrer sobre o fato. De acordo com O ECO, o vereador João de Jorge falou de uma denúncia de suposta negligência médica, na qual tinha ocorrido no dia anterior (17/02).

Ele cita que uma gestante chegou ao Hospital José Américo Resende já sentindo fortes dores e contrações, mas devido a uma demora na realização do atendimento médico, segundo familiares, o óbito da criança foi confirmado posteriormente.

Já o vereador Francisco Carlos Castro Teixeira disse que essa é mais uma denúncia gravíssima contra a unidade de saúde, que também mantém a Rede Cegonha do município.

Enquanto o edil Antônio Francisco dos Santos Neto ressaltou que já são 3 mortes de crianças, em um curto espaço de tempo, com suspeitas de graves erros médicos.

Os vereadores cobram interferência do MP, no sentido de agilizar as investigações.

Confira a sessão completa na íntegra, clicando aqui.

Uma ouvinte entrou em contato com a redação da Rádio Macaúbas FM relatando uma situação parecida que ela também passou.

Segundo a mulher, que preferiu não se identificar, no mês de novembro de 2021 ela deu entrada no Hospital José Américo Resende com algumas dores e 41 semanas de gestação.

Após muitas horas de sofrimento e dor, já dentro da unidade de saúde, a bebê nasceu sem conseguir respirar direito. Mesmo após reanimação, procura de vagas em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) próximas, entre outros procedimentos, a recém-nascida foi transferida para Vitória da Conquista/BA, mas não resistiu e evoluiu a óbito.

Conforme a paramirinhense, ela acredita que devido a demora e pelo esforço que fez, a bebê pode ter engolido muito líquido e outras substâncias.

De acordo com a ouvinte, não apenas ela passou por uma situação como essa. Dessa forma, cobra uma explicação dos órgãos responsáveis.

Sobre o fato relatado pelos vereadores de Paramirim, ocorrido agora em fevereiro, a unidade de saúde emitiu uma nota, na qual a redação da Macaúbas FM teve acesso.

Confira na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

 

FUNDAÇÃO DE SAÚDE DE PARAMIRIM – HOSPITAL JOSÉ AMÉRICO REZENDE 19/02/2022

 

A Fundação de Saúde de Paramirim Hospital Jose Americo Rezende, vem através desta, informar sobre o ocorrido na última quarta-feira, dia 16 de fevereiro de 2022, onde uma usuária do sistema de saúde deu entrada as 23:30 horas nesta unidade hospitalar. A paciente alegava dores abdominais e gravidez de 36 semanas. O médico plantonista do hospital Dr. José Ricardo acompanhado da enfermeira obstetra, Luana A. P. Silva, tentaram realizar uma avaliação obstétrica completa, mas a paciente se recusou. Nesta ocasião, ela relatou que estava em tratamento no hospital Esaú Matos de Vitória da Conquista, pois se tratava de uma gravidez de alto risco, com má formação fetal, sendo informada que o parto teria que ser realizado naquele hospital de referência e com UTI NEONATAL. Diante deste fato, imediatamente foi inserida na central de regulação para o hospital de referência, entretanto, durante toda a noite, a regulação foi negada.

 

Na manhã seguinte, quinta-feira às 08:00 horas, a paciente se encontrava sem dor, e como estava bem, solicitou alta, o que foi concedido, porém com a orientação de procurar o hospital Esaú, onde vinha se tratando.

 

No mesmo dia, 17 de fevereiro de 2022, no período da noite, às 21:00 horas a paciente voltou ao hospital com dores, sendo examinada pela enfermeira obstetra, Patrícia Leão, e a médica plantonista, Dra. Bruna Viana. Novamente, a paciente se recusou a ser tocada para uma avaliação obstétrica, mesmo assim foi conseguido fazer um exame incompleto. Mais uma vez, ela foi medicada e inserida na central de regulação. Além disso, foi feito um contato telefônico com Dr. André, diretor do Hospital Esaú, na tentativa de conseguir a transferência.  Até às 23:00 horas desta mesma noite, a regulação continuava sendo negada.

 

Às 23:20 horas a paciente perdeu líquido amniótico, ou seja, rompeu a bolsa. Neste momento foi examinada por Dr. Jurandi Marins Leão e a equipe de enfermagem obstétrica que constatou que a mesma estava na iminência do parto. Foi levada para a sala de parto, dando à luz às 23:55h. Comprovou neste momento o diagnóstico de má formação fetal (gastrosquise mais volvo). Apesar das manobras de reanimação por cerca de proximamente uns 30 minutos não se teve sucesso.

 

Estes dados estão todos documentados e poderão ser solicitados por autoridades competentes. A patologia do recém-nascido, mesmo em centros especializados, apresenta alta taxa de mortalidade. Em todos os momentos envidamos esforços para transferir a paciente, dado a gravidade do caso clínico. Sentimos muito pela perda de uma vida, prestando as condolências aos familiares.

 

Informamos também que essa unidade hospitalar tem sido alvo de críticas de pessoas que sequer conhecem a realidade dos procedimentos médicos adotados, sequer conhecem o hospital muito menos solicitaram esclarecimentos sobre os fatos. Reafirmamos que o Hospital José Americo Resende preza pelo bom
atendimento, transparência e respeito a todos os pacientes e comunidade e continuará prestando todos os esclarecimentos necessários, para demonstrar a lisura na condução de suas atividades.

Confira também a nota em PDF:

NOTA DE ESCLARECIMENTO final 20fevereiro22

Em relação ao fato descrito e ocorrido, segundo a ouvinte, no último mês de novembro, a emissora se coloca a disposição da unidade de saúde, para também esclarecer qualquer ponto que for necessário.

Ainda na sessão da Câmara de sexta, outros legisladores não deixaram de citar sobre os supostos abusos praticados pela Guarda Municipal de Paramirim.

Na última quarta-feira (16), o Ministério Público expediu uma recomendação para a Instituição Pública não atuar em operações policiais no Município.

De acordo com o Ministério Público estadual, por meio da promotora de Justiça Gabrielly Coutinho Santos, foi feita uma recomendação ao Município de Paramirim que não inclua a Guarda Municipal Patrimonial nas operações policiais na cidade.

“Recebemos denúncias de que a Guarda Municipal Civil estaria fazendo investigações para apuração de crimes e aplicando multas de trânsito”, destacou a promotora de Justiça.

Neste documento, o MP recomendou ainda que a atuação da Guarda Municipal Patrimonial no trânsito da cidade deve ser de caráter educativo.

“No Município de Paramirim temos a LC nº 03/2017 que estabeleceu funções operacionais e administrativas à Guarda Municipal Patrimonial, não funções de policiamento judiciário, ostensivo ou repressor”, destacou a promotora de Justiça, segundo a Cecom MP.

Na sessão, a vereadora Cleuziomar Lima dos Santos afirmou que as denúncias formuladas por ela, resultaram na manifestação do Ministério Público.

O presidente da Casa Legislativa, vereador Fernando Rogério Oliveira Viana, ressaltou que existe uma necessidade de apuração de todas as denúncias. Além disso, que se comprovado a necessidade de substituição de comando, que essa seja feita, de acordo aos procedimentos legais, para garantir que a sociedade continue sendo servida pelos serviços prestados pela Guarda Municipal.

Por: João de Jesus / Foto: WhatsApp/MacaúbasFM

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